Não é de hoje que o Alerta Social denuncia os abusos da polícia nas manifestações populares no pós-golpe. A cada dia a situação se agrava, não há uma ação dos movimentos populares que não seja reprimida com bastante violência por parte da PM em diversas cidades.

As ações repressivas, referendadas pelo governo federal, atestam que o direito constitucional de livre manifestação está claramente ameaçado. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, declarou na última quinta-feira (09/02) que as forças armadas devem ir às ruas para combater o que ele classificou de “baderna”. De igual forma, o agora indicado ao STF para a vaga de Teori Zavaski, Alexandre de Moraes, quando ocupava o Ministério da Justiça e Segurança Pública ou ainda na Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo, defendeu e fez uso da força da Polícia Militar na repressão das manifestações contrárias ao golpe jurídico- parlamentar. Sob seu comando, a Polícia Militar foi responsável pela morte de uma em cada quatro pessoas no estado paulista.

Isso se materializa em histórias reais, essa semana recebemos a denúncia do estudante do curso de psicologia da PUC/PR, Pedro Waterkemper. Durante a manifestação no dia 06 de fevereiro contra o aumento das passagens no Paraná, a polícia mais uma vez agiu com extrema violência. Pedro descreve da seguinte forma:

“Eu estava em uma passeata contra o aumento da passagem de ônibus e estava no cordão de isolamento fazendo a segurança para que carros não invadissem a passeata, em determinado momento agitadores que não faziam parte do nosso movimento começaram a depredar agências bancárias e a polícia decidiu agir, mas ao invés de tentar pegar os agitadores, eles atiraram nas pessoas que estavam fazendo o cordão de isolamento, entre as quais existiam idosos e mulheres, tentaram por diversas vezes nos atropelar e quando resistimos a isso algo que afirmo com orgulho, pois os companheiros que estavam de braços dados comigo tremiam de medo, mas resistiram bravamente a violência extrema da polícia. Neste momento eu fui atingido por uma bomba pelas costas e meus companheiros também. Tinham crianças e idosos na linha de tiro e por nenhum segundo eles desistiram de atirar bombas, balas de borracha e atropelar pessoas.”

Há uma inteligência por parte do aparelho de Estado que nos bastidores arquiteta cenários para justificar o uso da força. A exemplo disso, em setembro passado, veio à tona a história do capitão do exército que se infiltrou em um grupo de manifestantes pelas redes sociais como Balta Nunes. Posteriormente, o exército admitiu realizar “operações de inteligência” permanentes nas “manifestações de rua”.

Infiltrar agentes em movimentos ou organizações sociais é uma receita antiga. Sob a justificativa de monitorar em nome da ordem pública, o que acontece na prática é um trabalho sistemático em parceria com a grande mídia de criminalização dos movimentos sociais, foi assim durante a ditadura militar e parece ter novamente se instituído como prática recorrente no “governo” Temer.