Em meio a maior crise financeira registrada nas últimas décadas, o Brasil governado por Michel Temer investe em submarinos, caças, aviões-tanque e blindados em detrimento da educação, saúde, habitação, assistência social.

Em 2016, o investimento militar no país cresceu 36% em comparação ao ano de 2015. No fim de 2016, o valor subiu para R$ 9,15 bilhões –R$ 1,85 bilhão a mais do que estava previsto no Orçamento. A previsão para 2017 é ainda maior: R$ 9,7 bilhões.

O Ministério da Defesa –  pasta que reúne os recursos da Marinha, Exército e Aeronáutica – só fica atrás do Ministério dos Transportes quando o assunto é investimento. E a terceira colocada, a Educação, continua no nível do ano do corte, o que reflete a revisão da política de expansão de gastos na área quando Dilma era presidente e que lhe custou muitas críticas à sua gestão. O MEC só teve R$ 5,7 bilhões dos R$ 13,8 bilhões previstos para 2015 pagos e assim permaneceu em 2016.

INVESTIMENTOS

Com capacidades limitadas de defesa, cada Força faz suas apostas centrais.

A Marinha investe no programa de submarinos convencionais e nuclear. Em 2015, a rubrica de fabricação de quatro modelos diesel-elétricos recebeu só R$ 35 milhões dos R$ 294 milhões planejados, sendo “salva” pelos restos a pagar de outros anos.

Como agravante, a construção dos estaleiro e base em Itaguaí (RJ) pela Odebrecht é investigada na Lava Jato.

Na Força Aérea, os focos são os caças suecos Gripen e a fabricação do cargueiro e avião-tanque KC-390, da Embraer. Este último só recebeu pouco mais de 10% do previsto em 2015 e sofreu atrasos em seu cronograma, mas em 2016 ficou com quase o dobro da verba inicial: R$ 816 milhões.

Os números, todos corrigidos pela inflação (IPCA), se referem apenas aos programas das três Forças. O gasto total do Ministério da Defesa em 2016 foi de R$ 87,6 bilhões, equivalentes a 1,4% do PIB (Produto Interno Bruto), número que vem se mantendo estável há duas décadas.

Prioridades

O Exército investe programa de proteção de fronteiras e na troca da sua frota de blindados pelo modelo Guarani.

A Marinha investe no programa de submarinos convencionais e nuclear.

Na Força Aérea, os focos são os caças suecos Gripen e a fabricação do cargueiro e avião-tanque KC-390, da Embraer.

 

 

Um governo que enfrenta também uma enorme crise institucional, devido a sua ilegitimidade, afaga as Forças Militares enquanto dá as costas para a população.