A verba disponível para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações caiu 44% se comparado com o previsto na Lei Orçamentária Anual. Em decreto publicado no dia 30 de março, o Governo Federal contingenciou R$ 2,2 bilhões, restando uma verba de R$ 2,8 bilhões. Com isso, os recursos, que já eram metade dos R$ 10 bilhões destinados em 2013, chegaram a um dos piores índices da história.

“Contingenciar essa área é colocar o Brasil na contramão do desenvolvimento”, afirmou Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em entrevista ao Jornal da Ciência. O governou congelou ainda 41,8% dos investimentos do PAC na área.

O ministério responde por apenas 0,35% dos gastos totais da União (entre 2008 e 2013 o índice passou de 0,5%). Mesmo assim, o trabalho da pesquisa brasileira tem sido reconhecido. Em março, o Brasil ganhou destaque por ser, com sobras, o país com mais artigos publicados por mulheres no mundo – 49% do total – entre 2011 e 2015.

A SBPC e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) divulgaram carta expressando preocupação.

“Agora vai se ter como referência o orçamento de décadas atrás, quando o Brasil tinha poucos cientistas e quando a ciência produzida aqui tinha pouca relevância internacional. Em outras palavras, estamos recuando em décadas no apoio à ciência brasileira”, disse Luiz Davidovich, presidente da ABC, ao Jornal da Ciência.